AGRIÃO (Sisymbrium nasturtium, Nasturtium officinale)

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Pétrick Gouvêa
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AGRIÃO, Sisymbrium nasturtium, Nasturtium officinale (Foto: Wikimedia Commons)

Família: Crucíferas.

Nomes populares: Agrião-d’ água.

Características: Planta herbácea. Haste ramosa, espessa, suculenta, verde-avermelhada, rasteira. Folhas alternas, pecioladas, algo esparsas, compostas, imparipenadas. Folíolos quase sésseis, piriformes, opostos.

Habitat: Muito comum nos córregos. Cultivado.

Aplicação: É uma planta conhecida, boa para saladas. Deve-se usá-la crua, porque, quando cozida, suas propriedades medicinais se perdem.

O agrião contém um óleo essencial, iodo, ferro, fosfato e alguns sais.

Seu uso prolongado tem eficaz efeito depurador do sangue e antiescorbútico.

Emprega-se, outrossim, como ótimo remédio contra a atonia dos órgãos digestivos; como estimulante no escorbuto, escrofulose e raquitismo; como diurético nas hidropisias, nas enfermidades das vias urinárias, nos cálculos; como expectorante nos catarros pulmonares crônicos; como desopilante do fígado. Tomam-se, diariamente, 3 a 4 colheres das de sopa de suco de agrião puro ou diluído em água.

O agrião convém aos diabéticos, porque encerra poucos princípios amiláceos.

Aplicado, em cataplasmas, sobre úlceras escorbúticas, escrofulosas, etc., apressa sua cicatrização.

Em resultado das experiências do Dr. Zalakas, atribuem-se ao agrião propriedades antídotas dos efeitos tóxicos da nicotina.

O suco desta planta, misturado com mel, dá um bom xarope para combater a bronquite, tosse, tuberculose pulmonar.

Os que sofrem de ácido úrico, em virtude de terem comido muita carne, especialmente carne de porco, toicinho, salsichas, etc., devem comer diariamente uma salada de agrião.

Eis uma boa receita: Escolhem-se uns punhados de agrião, em quantidade suficiente para encher um prato. Lavam-se bem. Temperam-se com limão, azeitonas, um pouco de azeite, e um pouco de sal.

A cura desejada — bem entendido — só se alcança sob a condição de se remover completamente a causa do ácido úrico, a saber, as condenadas substâncias venenosas, que acima mencionamos, e que erroneamente soem ser chamadas “alimento”. O agrião nada pode fazer quando se prossegue no abuso causador do ácido úrico; mas acelera grandemente a cura quando os alimentos cárneos, principalmente os de origem suína, são abandonados.

As mulheres grávidas, não devem comer agrião em grandes quantidades, pois, em virtude de sua ação sobre a matriz, pode provocar o aborto.

Não se deve usar o agrião que cresce junto às águas paradas ou pouco movimentadas, pois que ao mesmo podem prender-se insetos aquáticos, portadores do bacilo de Eberth, causador do tifo.

Lavando-se bem o agrião e espremendo-se bastante suco de limão, em cima, pode-se comê-lo com bem menos perigo; mas, de qualquer maneira, é preferível obter sempre o agrião das águas correntes.

 

Referências:

BALBACH, Alfons. A flora nacional na medicina doméstica, vol.2. São Paulo: Edições Vida Plena, 11ª edição, p. 435.

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